Três Congressos internacionais sobre decrescimento

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A ideia de um decrescimento administrado afigura-se hoje como a proposta mais consequente, talvez a única efetiva, para uma sociedade viável. Ela se assenta sobre dois pressupostos, sem a compreensão adequada dos quais ela pareceria absurda.

O primeiro pressuposto é que o decrescimento econômico, bem longe de ser uma opção, é uma tendência inexorável. Conscientes de que a ilusão desenvolvimentista está conduzindo à falência os serviços prestados pela biosfera aos seus integrantes, os partidários do decrescimento percebem que um decrescimento administrado seria a única forma de evitar um colapso ambiental, o qual será tanto mais brutal e mortífero quanto mais lento for o reconhecimento de sua inexorabilidade.

Segundo pressuposto: o decrescimento administrado é essencialmente anticapitalista. A ideia de decrescimento nos marcos do capitalismo foi justamente definida por John Bellamy Foster como um teorema de impossibilidade. Um mal-entendido tenaz deve definitivamente ser dissipado: o decrescimento administrado não é uma simples proposta de redução quantitativa do PIB. Ele advoga, antes de mais nada, uma redefinição qualitativa dos objetivos do sistema econômico, que devem passar a ser a adequação das sociedades humanas aos limites da biosfera e dos recursos naturais. Essa adequação implica, como é óbvio, investimentos em áreas e países carentes de infraestrutura básica e, em geral, crescimento econômico imprescindível à transição para energias e transportes de menor impacto ambiental. Mas se trata de investimentos localizados, vetorizados e orientados para a diminuição de impactos ambientais (infraestrutura sanitária, abandono do uso de lenha, transporte público etc); jamais de um crescimento pelo crescimento. Serge Latouche explicita o liame entre decrescimento e superação do capitalismo: “O movimento do decrescimento é revolucionário e anticapitalista (e até antiutilitarista), e seu programa, fundamentalmente político”.

O decrescimento, como insiste o mesmo autor: “é o projeto de construir uma alternativa à sociedade do crescimento. Essa alternativa nada tem a ver com a recessão e a crise (…) Não há nada pior que uma sociedade do crescimento sem crescimento. (…) O decrescimento não é o simétrico do crescimento”.

Como afirma ainda Edgar Morin: “Beaucoup de choses doivent décroître : la surconsommation de produits inutiles, l’agriculture et l’élevage industrialisés. A l’inverse, il doit y avoir une croissance de ce que j’appelle l’économie écologisée” (Coralie Schaub, “Edgar Morin: ‘Plus l’homme est puissant par la technique, plus il est fragile devant le malheur’”. Libération, 19/VI/2015).

Isso posto, o grupo Research & Degrowth está organizando três Congressos em 2018 sobre Decrescimento para a Sustentabilidade e a Igualdade Social. Vejam: 

Biannual International Conferences on Degrowth for Ecological Sustainability and Social Equity

Veja-se:

Announcing three Degrowth International Conferences in 2018: Sweden, Mexico and European Parliament

Esses três Congresssos situam-se na continuidade dos Congressos anteriores, ocorridos em Veneza e Montreal em 2012, em Leipzig em 2014 e em Budapest em 2016.

The 6th International Degrowth Conference for ecological sustainability and social equity will take place in Malmö, Sweden 21-25 August 2018, with two twin conferences taking place the same year – in Mexico City, Mexico (19-22 June 2018) and at the European Parliament in Brussels, Belgium (around 17-21 September 2018). Our ambition is that the inclusion of a range of social, cultural and activist events draws in members of the community and stimulates a fruitful public debate.

This conference is inspired by principles of care, mutual aid and democratic decision-making. We aim to live and share dreams and practices of different worlds both happening and possible over these few days and invite you to be part of it!

The image below visualises the provisional conference concept. To make it come true, we welcome submissions of three types (academic, activist and artist), as outlined in the calls for participation.

 

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