WWF aponta queda de 58% da população mundial de vertebrados entre 1970 e 2012

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Uma forma de mensurar o colapso da biodiversidade entre os vertebrados é oferecida pelo Índice Planeta Vivo (Living Planet Index), elaborado pelo Living Planet Report, do WWF, em colaboração com a London Zoological Society, o Global Footprint Network e o Water Footprint Network. Em 2014, a décima edição, de 2014, do Índice Planeta Vivo avançava os seguintes dados: (1) uma queda de 52% das populações de vertebrados nos últimos 40 anos (1970-2010), segundo estimativas feitas em 10.380 populações de 3.038 espécies de mamíferos, pássaros, répteis, anfíbios e peixes; (2) uma queda de 76% das populações de espécies de água doce e de 39% das populações das espécies marinhas, segundo esses mesmos cálculos no mesmo período.

A queda média de 52% das populações de vertebrados avaliadas era muito diversa entre as oito ecozonas ou regiões biogeográficas terrestres. A ecozona mais dramaticamente atingida era a região neotropical (parte sul da península da baixa Califórnia, o sul do México, as ilhas do Caribe, a América Central e a América do Sul), onde as populações de vertebrados observadas caíram 83%.

Acaba agora de sair a décima primeira edição do Living Planet Index. Em apenas dois anos, tudo piorou significativamente. O relatório constata agora uma queda de 58% das populações de vertebrados avaliadas e seus prognósticos são claros: em 2020 a queda será de 67%.

O principal motor do aniquilamento das populações de vertebrados é a lógica da acumulação do capital que não vê na natureza senão “recursos naturais”, “matérias primas”, oportunidades de negócios e de lucro. As diversas ondas de globalização do capitalismo ocorridas desde o século XIX, a última delas em estado nascente com os diversos tratados de comércio global em curso de negociação, estão acelerando a poluição, o desequilíbrio dos regimes climáticos e a devastação das florestas, dos mangues, dos corais, dos habitats e ecossistemas, em suma, da biosfera, de cuja preservação, ou do que dela ainda resta, todos os seres vivos dependem existencialmente. O acúmulo quase cotidiano de evidências não permite mais dúvidas: a permanecermos nessa trajetória de expansão capitalista, estaremos legando às gerações nascidas a partir do último quarto do século XX um mundo no qual elas não poderão ou não desejarão viver.

(Luiz Marques)

Para o relatório completo, veja aqui:

http://assets.worldwildlife.org/publications/964/files/original/LPR_2016_full_report_low-res.pdf?1477526585&_ga=1.25768632.489370082.1473651197

Paris, 27 Out 2016 (AFP) – A população de vertebrados na Terra caiu 58% entre 1970 e 2012, e se a tendência persistir poderá atingir 67% até 2020, adverte nesta quinta-feira um relatório do WWF.

“Se permanecer este declínio da biodiversidade, o mundo natural que hoje conhecemos desabará em seu conjunto”, declarou o diretor geral do WWF Internacional, Marco Lambertini.

Segundo o organismo de defesa do meio ambiente, “o declínio que sofrem as populações de espécies selvagens é cada vez mais preocupante” e “chegará a 67% até 2020” se nada for feito.

“Estamos assistindo a uma regressão da vida sobre o planeta, da qual somos em parte responsáveis (…) e significa um fator de risco importante para nós”, destacou Pascal Canfin, diretor geral da WWF França.

“Se desaparece a vida, desaparece o capital natural e destruímos nossa capacidade de viver no planeta a longo prazo. A humanidade está colocando em risco ela mesma”.

O relatório anterior “Planeta Vivo”, publicado em 2014 por essa ONG de defesa do meio ambiente, mencionava uma queda de 52% entre 1970 e 2010.

– Impacto marginal do clima -O WWF, em colaboração com a sociedade zoológica de Londres, estudou 14.152 populações de 3.706 espécies de mamíferos, peixes, aves, anfíbios e répteis para chegar a esta conclusão.

Particularmente afetados, se encontram os animais de água doce, cuja população está em queda livre: caiu 81% entre 1970 e 2012 devido ao excesso de exploração – muitas vezes involuntária – e da perda ou degradação de seu habitat.

A população das espécies terrestres caiu 38%.

Devido a caça ilegal, os elefantes da África – por exemplo – foram reduzidos em 111 mil desde 2006, totalizando atualmente 415 mil animais.

As populações marinhas sofreram uma redução de 36%, com um terço de espécies de tubarões e arraias ameaçados de extinção, fundamentalmente devido à pesca excessiva.

De maneira geral, a ameaça mais frequente que pesa sobre as populações em declive é a perda ou degradação de seu habitat devido à atividades agrícolas, à exploração florestal, à mineração e à transmissão e produção de energia.

Outras causas são o excesso de caça e pesca, a contaminação ambiental, as espécies invasivas e doenças.

Até o momento, o aquecimento global tem tido um impacto “relativamente marginal (…) porque estamos apenas com um grau de elevação” planetário em relação à era pré-industrial, declarou Pascal Canfin.

“Estamos consumindo nosso capital natural cada vez mais cedo”, destaca Canfin.

Este ano, a humanidade “está no fiado” desde 8 de agosto, quando consumiu a totalidade dos recursos que o planeta pode renovar em um ano, segundo a ONG Global Footprint Network.

Em 2015, o “fiado” começou no dia 13 de agosto, contra 23 de dezembro em 1970.

A população mundial, hoje em 7,4 bilhões de pessoas, chegará a 9,7 bilhões em 2050, e neste ritmo precisará de um segundo planeta.

“As consequências da pressão humana sobre o meio ambiente se conhecem e se observam cada vez melhor, mas não há qualquer reação econômica racional”, lamenta a WWF, que pede um “desenvolvimento econômico sustentável”.

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